De acordo com o The Wall Street Journal, a Electronic Arts (EA) está prestes a deixar a bolsa de valores e se tornar uma empresa privada, em um acordo avaliado em até US$ 50 bilhões. Caso seja confirmado, será a maior aquisição desse tipo já registrada no setor de jogos.
Fontes ligadas ao WSJ afirmam que o valor final ainda não foi definido, mas a EA tem valor de mercado estimado em US$ 43 bilhões. Entre os investidores envolvidos estariam a gestora de private equity Silver Lake e o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita.
Como funciona?
A transação seria um leveraged buyout, ou seja, a compra financiada em grande parte por dinheiro emprestado, tendo a própria empresa adquirida como garantia da dívida. Isso significa que, se a EA não conseguir gerar receita suficiente para pagar os compromissos, a consequência recairá sobre ela — o que geralmente resulta em cortes, demissões e até falências. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a rede de brinquedos Toys R Us, que fechou após um processo semelhante.
O valor de até US$ 50 bilhões, próximo ao preço de mercado da EA, pode indicar que a dívida seria proporcional à capacidade da empresa. Ainda assim, fusões e aquisições costumam gerar grandes mudanças: em 2024, poucos meses após a compra da Activision-Blizzard, a Microsoft cortou 1.900 vagas, afetando principalmente a Blizzard.
Sauditas
O fundo soberano saudita tem expandido sua presença no entretenimento global nos últimos anos. Além de já deter 10% da EA, investiu em empresas como Nintendo e Capcom, em filmes de Hollywood e em ligas esportivas como a Saudi Pro League, o LIV Golf e o Professional Fighters League. Em 2018, firmou um acordo de US$ 1 bilhão para sediar eventos da WWE, e em 2027 receberá a WrestleMania 43 em Riade. Críticos chamam esse movimento de sportswashing, alegando que serve para desviar a atenção das denúncias de violações de direitos humanos no país.
Nos últimos anos, a EA enfrentou dificuldades parecidas com a Ubisoft: enquanto Microsoft e Sony cresceram a ponto de dominar o mercado, a EA perdeu a valiosa licença da FIFA, transformando sua principal franquia em EA Sports FC. O estúdio BioWare sofreu cortes após o desempenho fraco de Dragon Age: The Veilguard. Agora, a esperança de recuperação está em Battlefield 6, que já apresenta bons números em testes e críticas iniciais positivas.
Se a venda for confirmada, diversos estúdios e franquias podem ser impactados, incluindo:
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BioWare (Mass Effect, Dragon Age).
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Respawn (Titanfall, Apex Legends, Star Wars Jedi).
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DICE (Battlefield, Mirror’s Edge).
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Maxis (The Sims 4, Project Rene).
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EA Sports (Madden NFL, College Football e outros).
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Séries como Dead Space, Need for Speed, Skate, Command & Conquer e o catálogo clássico da Origin Systems (Ultima, Wing Commander).
The EA headquarters building at Redwood City, California, in May 2011. Photo: King of Hearts – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Electronic_Arts_Redwood_City_May_2011.jpg












