O Instituto Federal do Ceará (IFCE) anunciou na semana passada o depósito oficial, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), da patente de uma fórmula tópica antifúngica desenvolvida por estudantes do campus de Quixadá. A iniciativa, fruto de um projeto de iniciação científica, representa um avanço significativo para a pesquisa e inovação no Sertão Central.
A nova formulação combina óleo de melaleuca, conhecido por suas propriedades antimicrobianas, com o medicamento fluconazol, tradicionalmente usado no combate a infecções fúngicas. O grande diferencial está na apresentação em forma de nanoemulsão: partículas microscópicas que aumentam a absorção pela pele, ampliando a eficácia terapêutica.
Testes iniciais indicam que o produto pode superar o desempenho do fluconazol isolado e apresentar ação eficaz contra fungos resistentes, como Candida albicans e Candida krusei, uma problemática crescente em ambientes hospitalares.
Quem desenvolveu o projeto
O projeto foi desenvolvido pelos estudantes Antônio Marcos Oliveira, Fernando Willame, Isabela Lima e Larisse Oliveira, sob orientação do professor Alexandre Carreira, docente do curso de Química do IFCE. A pesquisa contou com apoio dos Laboratórios de Polímeros e Inovação de Materiais (LabPIM) e de Bioprospecção de Moléculas Antimicrobianas (LABIMAN) da Universidade Federal do Ceará (UFC), que auxiliaram na caracterização e nos testes da nova formulação.
Segundo o professor Carreira, a descoberta evidencia o potencial da nanotecnologia na medicina: “É gratificante desenvolver projetos dessa natureza no campus Quixadá, mostrando que é possível transformar conhecimento acadêmico em soluções reais”.
A estudante Isabela Lima destacou a importância da colaboração entre IFCE e UFC para a viabilização do estudo: “Este projeto não só contribuiu para minha formação, mas também reforça a relevância científica da nossa pesquisa. Espero que mais alunos vivenciem experiências como essa”.
Pedido de patente
O pedido de patente foi registrado em nome do IFCE, reforçando o compromisso da instituição com a ciência aplicada e o desenvolvimento regional. Para o diretor-geral do campus Quixadá, Alexandre Praxedes, a conquista representa “um motivo de orgulho para a comunidade acadêmica, demonstrando que a educação pública e gratuita pode gerar soluções inovadoras para desafios cotidianos”.
O próximo passo será avançar em estudos e buscar parcerias com empresas farmacêuticas, com a perspectiva de licenciar o produto para comercialização. A expectativa é que a nanoemulsão possa se tornar uma nova alternativa acessível, segura e eficaz no tratamento de infecções fúngicas, beneficiando milhões de brasileiros.












