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Primeiros filhotes de tartaruga-de-pente nascem em área monitorada pelo IFCE em Paracuru

Tartaruga-de-pente

Um marco para a conservação marinha no litoral cearense foi registrado no último dia 16 de março de 2026. Na Praia da Piriquara, em Paracuru, 130 filhotes de tartaruga-de-pente, espécie ameaçada de extinção, nasceram e seguiram rumo ao mar. Este é o primeiro nascimento oficialmente documentado pela Rede Maré Viva, iniciativa coordenada pelo Campus Paracuru do Instituto Federal do Ceará (IFCE).

A Rede Maré Viva reúne o IFCE, secretarias municipais, a prefeitura, gestores de áreas de proteção ambiental e a comunidade local, em um modelo colaborativo que integra ciência, poder público e participação social. O projeto deriva da iniciativa de extensão Amigos do Mar, criada em 2018, que atua na educação ambiental e no combate à poluição marinha. Desde então, mais de duas toneladas de resíduos sólidos e cerca de 13 mil bitucas de cigarro foram retiradas das praias da região.

Monitoramento surgiu após registros de mortes de animais

De acordo com a coordenadora do projeto, professora Luciana de Castro, o monitoramento das tartarugas surgiu após registros frequentes de mortes de animais e relatos da população sobre possíveis ninhos. A identificação de rastros e de um ninho de desova, no ano passado, impulsionou a criação de um acompanhamento sistemático.

As tartarugas marinhas desempenham papel essencial nos ecossistemas, contribuindo para o controle de populações, a manutenção de habitats e a ciclagem de nutrientes. Atualmente, cerca de 20 ninhos são monitorados pela Rede Maré Viva nas praias de Paracuru, com atividades realizadas principalmente à noite e nas primeiras horas do dia.

Após a eclosão, equipes realizam a abertura assistida dos ninhos para avaliar o sucesso reprodutivo e identificar possíveis fatores que afetaram o desenvolvimento dos ovos. Outro ponto relevante é o trajeto dos filhotes até o mar, que ativa o chamado imprinting, um processo biológico que permite que as fêmeas retornem, futuramente, ao local de nascimento para a desova.

Além da pesquisa científica, o projeto também se destaca pelo modelo de ciência cidadã, envolvendo diretamente moradores locais, como pescadores e bugueiros, no monitoramento e na proteção das tartarugas. A iniciativa também promove ações educativas, permitindo a participação orientada da comunidade em momentos de nascimento natural dos filhotes, fortalecendo a conscientização ambiental e o engajamento na preservação das espécies.

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