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Computação quântica pode quebrar criptografia atual e expor dados roubados no futuro, alerta Delfia

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Informações protegidas por criptografia hoje podem se tornar vulneráveis no futuro com o avanço da computação quântica. O risco já preocupa especialistas em cibersegurança, principalmente por causa de uma estratégia conhecida como Harvest Now, Decrypt Later, ou “coletar agora e descriptografar depois”, que consiste em capturar dados protegidos e armazená-los para tentar acessá-los quando houver tecnologia capaz de superar os mecanismos de segurança utilizados.

O alerta é de Bruno Ortale, Head de Cibersegurança da Delfia, empresa especializada em curadoria de jornadas digitais. Segundo o executivo, organizações que armazenam informações estratégicas, financeiras, pessoais e corporativas precisam começar a se preparar para uma possível mudança no cenário de proteção digital.

“O dado não precisa ser quebrado hoje para já estar comprometido. Se uma informação continuar sensível daqui a dez, 20 ou 30 anos, ela pode estar sendo coletada agora e armazenada para ser explorada no futuro”, afirma Ortale.

Criptografia atual pode enfrentar riscos até 2030

A preocupação com a computação quântica já aparece nas projeções do mercado de tecnologia. Segundo a Delfia, o Gartner prevê que os avanços nessa área poderão tornar insegura, até 2030, a criptografia assimétrica utilizada pelas organizações para proteger dados e sistemas.

Esse cenário aumenta a pressão para que as empresas avaliem a adoção da chamada criptografia pós-quântica, desenvolvida para resistir a ataques realizados com computadores quânticos.

O desafio, porém, vai além da substituição de algoritmos. A migração pode envolver sistemas corporativos, aplicações, certificados digitais, chaves criptográficas, dispositivos e conexões com fornecedores. Parte dessa infraestrutura pode estar desatualizada ou sequer identificada nos inventários de tecnologia das organizações.

Para Ortale, esperar que computadores quânticos capazes de ameaçar os mecanismos atuais estejam disponíveis para só então iniciar a preparação pode reduzir o tempo necessário para uma transição segura.

Como funciona o ataque de coletar agora e descriptografar depois

A estratégia Harvest Now, Decrypt Later parte de uma possibilidade: criminosos podem interceptar e armazenar informações criptografadas hoje, mesmo sem conseguir decifrá-las imediatamente.

Esses dados poderão ser alvo de novas tentativas de acesso no futuro, caso os avanços tecnológicos permitam superar os mecanismos criptográficos utilizados na proteção original.

O risco é especialmente relevante para informações que precisam permanecer confidenciais por muitos anos, como propriedade intelectual, documentos estratégicos, registros financeiros e dados pessoais.

Uma conexão protegida por VPN, certificados digitais válidos e tráfego criptografado podem indicar que os mecanismos de segurança estão funcionando no presente. Isso, entretanto, não garante que os dados interceptados continuarão protegidos indefinidamente.

“Uma rede continuar funcionando não prova que o dado não foi copiado”, destaca o executivo.

Inteligência Artificial também acelera ataques cibernéticos

Além da evolução da computação quântica, a Inteligência Artificial pode ampliar a velocidade e a escala de determinadas atividades utilizadas em ataques cibernéticos.

De acordo com Ortale, essas ferramentas podem auxiliar criminosos no reconhecimento de ambientes, na análise de tráfego, na identificação de vulnerabilidades, na engenharia reversa e na análise de grandes volumes de informações vazadas. Também podem facilitar a automação de campanhas de phishing e a correlação de dados obtidos de diferentes fontes.

A Inteligência Artificial, porém, não elimina por si só os fundamentos matemáticos dos algoritmos criptográficos. Seu impacto está também na capacidade de automatizar tarefas e explorar fragilidades nos ambientes que utilizam esses mecanismos.

O primeiro passo é mapear dados, sistemas e chaves

Para reduzir os riscos, a Delfia recomenda que as empresas comecem identificando quais informações precisam de proteção prolongada, onde estão armazenadas e quais mecanismos criptográficos são utilizados.

Esse levantamento permite reconhecer sistemas legados, certificados esquecidos, chaves privadas, aplicações antigas e conexões com terceiros que podem representar pontos cegos na segurança corporativa.

Com essas informações, as organizações conseguem estabelecer prioridades, avaliar dependências tecnológicas e planejar a substituição gradual de soluções que não atendam aos requisitos futuros de segurança.

Outro fator importante é o tempo de confidencialidade dos dados. Quanto mais tempo uma informação precisar permanecer protegida, maior será a necessidade de avaliar se os mecanismos utilizados atualmente continuarão adequados ao longo de sua vida útil.

“Não se trata de esperar a computação quântica chegar para descobrir o que precisa ser protegido. A empresa precisa conhecer seu ambiente e saber quanto tempo levaria para mudar”, afirma Ortale.

Criptoagilidade ganha importância na estratégia de segurança

A preparação para o cenário pós-quântico também envolve a chamada criptoagilidade, capacidade de substituir ou atualizar mecanismos criptográficos com rapidez e controle quando surgem novas ameaças ou requisitos de segurança.

Na prática, isso exige inventário tecnológico, governança, planejamento e acompanhamento contínuo das soluções utilizadas pela empresa.

Sem conhecer a própria infraestrutura, uma organização pode ter dificuldades para identificar quais sistemas precisam ser atualizados e quais dados devem receber prioridade. A ausência desse mapeamento também pode prolongar a exposição a tecnologias que deixaram de oferecer o nível de proteção necessário.

“Mais do que uma troca de algoritmos, a preparação para o cenário pós-quântico envolve criptoagilidade, visibilidade e governança. A capacidade mais importante é conseguir mudar”, conclui Bruno Ortale, Head de Cibersegurança da Delfia.

Legenda da foto: Bruno Ortale, Head de Cibersegurança da Delfia, curadoria de jornadas digitais

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