Mensagens ameaçadoras que exigem pagamento sob risco de exposição de dados, prisão ou até morte continuam circulando em larga escala por e-mail. Segundo análises da Kaspersky, esse tipo de extorsão digital é, na imensa maioria dos casos, um golpe em massa que não tem qualquer base real, mas se apoia em chantagem psicológica para pressionar as vítimas.
De acordo com a empresa de cibersegurança, os criminosos disparam mensagens praticamente idênticas para milhares de endereços obtidos em vazamentos de dados. A estratégia é simples: apostar que pelo menos algumas pessoas se sentirão intimidadas o suficiente para pagar o valor exigido, geralmente em criptomoedas.
Roteiro conhecido

Os chamados “golpes clássicos” de extorsão por e-mail costumam seguir um roteiro conhecido. Os criminosos alegam ter invadido computadores, obtido acesso a fotos íntimas ou monitorado as atividades online da vítima. Em alguns casos, incluem dados pessoais reais, como nome, telefone ou endereço, para conferir a veracidade da ameaça. Segundo a Kaspersky, essas informações quase sempre vêm de bases de dados vazadas na internet, e não de um ataque direto ao dispositivo da vítima.
Há variações mais elaboradas, com mensagens longas e detalhadas que descrevem supostos malwares, acesso à webcam ou capturas de tela. Outras recorrem a links externos para “detalhes do ataque”, uma tática usada para contornar filtros de spam. Também são frequentes as ameaças envolvendo o consumo de conteúdo adulto, com alegações de gravações íntimas que seriam divulgadas caso o pagamento não seja efetuado.
Em um nível mais extremo, alguns golpes chegam a ameaçar com a morte, afirmando que um crime foi encomendado e que a vítima pode “comprar a própria segurança”. Embora causem pânico, essas mensagens seguem o mesmo padrão de intimidação sem fundamento real.
Falso agentes da lei
Outro grupo de fraudes identificado envolve falsos agentes da lei, especialmente em países europeus e da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Nesses casos, os golpistas enviam intimações falsas, acusando a vítima de crimes graves, como pornografia infantil ou tráfico humano. Os e-mails simulam documentos oficiais, com selos, assinaturas e nomes de autoridades, e exigem contato imediato para “evitar” prisão ou exposição pública. Após a resposta, surge a proposta de um suposto acordo financeiro para encerrar o caso.
Segundo a Kaspersky, muitas dessas mensagens citam órgãos inexistentes, leis falsas ou usam endereços de e-mail genéricos, além de apresentar erros de tradução e inconsistências nos cargos das autoridades mencionadas. Ainda assim, o tom alarmista e a pressão psicológica levam algumas vítimas a acreditar na história.
Para identificar esse tipo de golpe, especialistas recomendam atenção a sinais comuns: pedidos de urgência, exigência de sigilo absoluto, solicitações para abrir anexos ou clicar em links, uso de serviços de e-mail gratuitos como remetente e inconsistências legais ou institucionais. A presença de dados pessoais no texto não constitui prova de legitimidade.
Não entre em pânico
A orientação é clara: não entrar em pânico, não responder aos golpistas e não efetuar pagamentos. A Kaspersky reforça que órgãos governamentais e forças de segurança não fazem ameaças nem cobram multas por e-mail. Em caso de dúvida, o ideal é recorrer a canais oficiais e verificados para confirmar qualquer comunicação. Se houver ameaças diretas à vida, recomenda-se procurar imediatamente as autoridades locais.
A empresa também destaca a importância do uso de soluções de segurança confiáveis, capazes de filtrar mensagens maliciosas e de alertar sobre links e anexos perigosos. Em um cenário em que golpistas passam a usar ferramentas de inteligência artificial para aprimorar textos e aparência dos e-mails, a combinação de atenção, verificação e proteção tecnológica se torna essencial para evitar cair em armadilhas digitais.
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