O campus de Tabuleiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE) apura a possível ocorrência de petróleo na zona rural do município, após a identificação de material com características semelhantes ao óleo cru durante a perfuração de um poço de captação de água.
O achado foi registrado em novembro de 2024, no Sítio Santo Estevão, na Chapada do Apodi, a cerca de 35 quilômetros da sede do município, no Baixo Vale do Jaguaribe. O agricultor Sidrônio Moreira realizava a escavação de um poço tubular, com aproximadamente 40 metros de profundidade, quando observou a presença de um líquido escuro, viscoso e com odor semelhante ao de óleo automotivo.
Investigação
Diante da situação, o proprietário procurou o IFCE para obter orientação técnica. De acordo com o engenheiro químico Adriano Lima, do campus local, a instituição recebeu inicialmente imagens do material e, posteriormente, uma amostra para análise preliminar. Para aprofundar a investigação, o instituto firmou parceria com o Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), onde foram realizadas análises físico-químicas, incluindo testes de densidade, viscosidade e características organolépticas.
Segundo Adriano Lima, os resultados indicaram que se tratava de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades semelhantes às do petróleo extraído em áreas onshore da Bacia Potiguar. A constatação, no entanto, não constitui confirmação oficial de jazida ou de viabilidade econômica de exploração.
Próximos passos
O IFCE orientou a família sobre os procedimentos legais, incluindo a comunicação à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão responsável pela regulação e fiscalização do setor. A instituição também alertou para os riscos ambientais e legais decorrentes de intervenções não autorizadas, destacando a possibilidade de contaminação do lençol freático e de enquadramento por crime ambiental.
De acordo com dados cartográficos, a área do achado não integra blocos atualmente concedidos para exploração pela ANP. Caberá ao órgão federal avaliar a necessidade de inspeção no local e de estudos geológicos complementares.
Enquanto aguarda os desdobramentos, o agricultor mantém a expectativa de que a descoberta possa trazer algum benefício à comunidade, que enfrenta dificuldades históricas no acesso à água.












