Em meio à consolidação do Pix e à expansão do Open Finance, bancos, instituições de pagamento e seguradoras enfrentam um novo desafio de alta complexidade: a adaptação de seus sistemas ao novo formato do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), que passará a ser alfanumérico a partir de julho de 2026.
A mudança foi definida pela Receita Federal do Brasil (RFB) por meio da Instrução Normativa nº 2.229, publicada em 2024, e tem por objetivo ampliar o número de combinações possíveis para novos registros. Atualmente, o modelo numérico permite até 100 milhões de combinações, das quais cerca de 60 milhões já foram utilizadas. Mantido o ritmo atual, o limite seria atingido em 2033.
Segundo Camille Ocampo, diretor executivo da Capco, consultoria especializada em gestão e tecnologia para o setor financeiro, o impacto da mudança vai muito além de um simples ajuste cadastral.
“Trata-se de uma alteração que afeta o núcleo das instituições: sistemas internos, bancos de dados e interfaces. Diferentemente do Pix, que foi integrado como uma nova camada, o novo CNPJ exige modificações em sistemas já em operação, o que aumenta significativamente o risco”, afirma.
Alterar códigos antigos
De acordo com o executivo, um dos principais obstáculos está na necessidade de alterar códigos antigos, muitas vezes sem documentação atualizada. “Em vários casos, é até difícil identificar todos os pontos que precisam ser modificados. Isso eleva a probabilidade de falhas e pode comprometer o funcionamento de sistemas críticos”, explica.
Nesse cenário, a inteligência artificial generativa tem sido utilizada como ferramenta de apoio. Segundo Ocampo, a Capco vem aplicando frameworks de IA para mapear automaticamente trechos de código afetados, acelerar a documentação, facilitar ajustes e reforçar os testes de segurança.
“Com isso, conseguimos reduzir riscos operacionais e encurtar prazos de entrega”, diz.
Processo será de meses
A expectativa é de que o processo de adaptação, testes e implementação leve vários meses, especialmente em grandes instituições financeiras que mantêm estruturas tecnológicas complexas e interdependentes.
“Alguns bancos já iniciaram os preparativos, o que tende a tornar a transição menos turbulenta. Mas, para quem ainda não começou, o tempo é um fator crítico”, conclui o executivo.
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