O dinheiro em espécie perde espaço no dia a dia dos brasileiros. Cheques resistem apenas em áreas mais afastadas e transferências via DOC foram extintas, enquanto os pagamentos digitais avançam rapidamente. Hoje, sete em cada dez brasileiros utilizam a tecnologia de aproximação para pagar compras presenciais, segundo dados do Santander.
De acordo com a Febraban, entre 2019 e 2023 o número de transações bancárias feitas por celular cresceu mais de 250%, e já representam cerca de 70% do total no país. Esse cenário reflete uma mudança profunda no comportamento financeiro da população, que cada vez mais sai de casa sem cartões físicos e concentra suas operações no smartphone.
No segundo trimestre de 2025, os pagamentos com cartão de crédito registraram alta de 16,2% em valor movimentado. Estimativas apontam que, até o final do próximo ano, os volumes globais de pagamentos digitais devem crescer mais de 80%.
Brasil entre os líderes globais
Em 2023, o Brasil foi o segundo país do mundo em número de pagamentos instantâneos, atrás apenas da Índia. Atualmente, ocupa a quarta posição no uso de carteiras digitais, ficando atrás de China, Índia e Alemanha.
No Mercado Pago, que possui mais de 52 milhões de usuários ativos por mês, o Pix já responde por 90% das transferências entre contas correntes. No e-commerce, cartão de crédito e Pix praticamente dividem a liderança, enquanto boleto e débito somam menos de 5% das operações.
Mesmo com a ascensão do Pix, o cartão de crédito continua forte, movimentando R$ 1,3 trilhão no período, crescimento de 11% em relação ao ano anterior.
Especialistas: praticidade, mas também cautela
Para Fernando Lamounier, educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios, a transformação é irreversível:
“A tecnologia mudou a experiência do usuário para sempre. Os meios de pagamento digitais oferecem praticidade, permitem programar débitos e reduzem custos operacionais. A tendência é uma experiência cada vez mais integrada com aplicativos e plataformas digitais.”
Já Marlon Tseng, CEO da fintech Pagsmile, destaca a diversidade de opções:
“O consumidor brasileiro está cada vez mais digital e aberto a novas experiências de pagamento. O Pix acelerou essa transformação, mas carteiras digitais e pagamento por aproximação já fazem parte da rotina. O futuro é a integração entre diferentes meios, trazendo conveniência e eficiência.”
Especialistas alertam, no entanto, que a facilidade de crédito exige cuidado.
“A modalidade é tentadora e muito usada no dia a dia, mas pode comprometer as finanças pessoais. Antes de compras de maior valor, é importante refletir sobre a real necessidade e evitar o impulso”, reforça Lamounier.
O que vem pela frente
Instituições financeiras já trabalham na unificação de meios de pagamento, como permitir que o cliente faça Pix utilizando o limite do cartão de crédito. Essa flexibilidade deve ampliar a autonomia do consumidor, mas também exige maior responsabilidade no uso das ferramentas digitais.












