A Telebras e a operadora global de satélites SES firmaram um Memorando de Entendimentos (MoU) para cooperação técnica no uso de satélites em órbita média (MEO) no Brasil. A iniciativa tem como foco o desenvolvimento de soluções de conectividade consideradas críticas para políticas públicas de telecomunicações, especialmente em áreas ligadas à inclusão digital, segurança e comunicação de Estado.
As empresas já mantêm parceria no Programa GESAC, que leva internet de alta velocidade a escolas, unidades de saúde e comunidades remotas. Com o novo acordo, a Telebras passará a utilizar a constelação MEO da SES, que permite conexões com menor latência e maior capacidade, ampliando o alcance e a qualidade dos serviços oferecidos por satélite.
Os primeiros testes estão previstos para ocorrer durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro de 2025, em Belém (PA). A demonstração contará com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e terá ponto de conexão instalado no estande da instituição. A proposta é assegurar conectividade segura e de alta performance para estruturas do Governo Federal durante o evento.
Soberania nacional
Para o presidente da Telebras, André Leandro Magalhães, a parceria fortalece a estratégia de soberania digital do país. “Trata-se de um passo importante para expandir a conectividade nacional com tecnologia de média órbita, integrando infraestrutura brasileira e inovação global”, afirmou.
O diretor comercial da estatal, Levi Figueiredo, acrescentou que o memorando abre novas perspectivas de negócio. Segundo ele, a tecnologia MEO permitirá à Telebras atender demandas de segmentos que exigem alto desempenho e segurança, com ofertas competitivas ao setor público.
Representando a SES, Marcos Coseglio, diretor de vendas para governo, ressaltou que o acordo busca resultados práticos. “É um compromisso com o Brasil para ampliar inclusão digital e reforçar a soberania. A Telebras tem presença e capilaridade, e a SES traz tecnologia e inovação”, disse. Já o vice-presidente da SES para a América Latina, Ricardo La Guardia, destacou que a união alinha excelência técnica brasileira à experiência global da companhia.
Órbita média
Além dos aspectos estratégicos, o uso de satélites em órbita média apresenta vantagens ambientais. Por demandar um número menor de lançamentos e ter vida útil mais longa, a tecnologia reduz o consumo de combustível, a produção de lixo espacial e a necessidade de novas instalações terrestres, ao aproveitar a infraestrutura já existente da Telebras.
Embora não vinculante, o memorando estabelece bases para futuras parcerias tecnológicas e comerciais, alinhadas aos objetivos de expansão de infraestrutura crítica e reforço da soberania digital brasileira.
Imagem: Site da Telebras












