A Inteligência Artificial (IA) está se consolidando como uma ferramenta estratégica para modernizar a gestão de ativos em organizações públicas e privadas. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia só entrega resultados consistentes quando apoiada por dados confiáveis, processos bem estruturados e uma cultura organizacional preparada para a mudança. A conclusão surgiu durante um encontro promovido pela IBM, que reuniu líderes do setor de gestão de ativos para discutir experiências práticas e os desafios da implementação da IA em operações de infraestrutura e manutenção.
Segundo os participantes, a IA não deve ser vista como uma solução imediata para problemas complexos, mas como um acelerador de estratégias já consolidadas. Para Denzil Solomon, vice-presidente de Tecnologias Emergentes da FAHM Technology, os benefícios mais significativos aparecem ao longo do tempo.
“A Inteligência Artificial está comprometida com resultados de longo prazo, assim como a própria gestão de ativos. É possível obter ganhos rápidos, mas o verdadeiro valor é construído gradualmente”, afirmou.
Dados de qualidade são a base para o sucesso da IA
Um dos principais temas debatidos foi a importância da qualidade dos dados. Os especialistas concordaram que nenhuma tecnologia consegue compensar informações inconsistentes ou mal estruturadas.
Jennifer Wrzala, analista de negócios da Prefeitura de Cambridge, destacou que a adoção de sistemas corporativos de gestão de ativos trouxe benefícios imediatos ao município.
“Começamos a perceber resultados rapidamente. Antes, diferentes equipes utilizavam linguagens distintas para falar sobre os mesmos ativos. Hoje temos uma linguagem comum e um sistema unificado”, explicou.
A padronização das informações permite que as organizações confiem mais nas análises geradas pela IA e tomem decisões com maior segurança.
IA ajuda a preservar conhecimento diante da escassez de profissionais
Outro desafio apontado durante o encontro foi a perda de conhecimento institucional causada pela aposentadoria de profissionais experientes e pela alta rotatividade de funcionários.
Nesse cenário, plataformas digitais e soluções baseadas em IA estão sendo utilizadas para registrar processos, documentar experiências e incorporar conhecimento técnico diretamente às operações do dia a dia.
“Gestão de ativos é a cola que organiza o caos. Ela conecta pessoas, processos e tecnologia”, destacou Solomon.
Organizações mais preparadas colhem melhores resultados
Para Roop Lutchman, consultor principal da ROLU INC. e profissional certificado em gestão de ativos, empresas que já possuem processos maduros e dados estruturados estão em posição privilegiada para extrair valor da Inteligência Artificial.
Segundo ele, quando informações, processos e objetivos estão alinhados, a IA pode auxiliar na identificação de riscos, aumentar a confiabilidade dos ativos e melhorar o planejamento operacional.
Inspeções automatizadas e manutenção inteligente ganham espaço
Com bases mais sólidas, as organizações começam a explorar aplicações mais avançadas da tecnologia. Entre os casos de uso destacados estão:
- Inspeções visuais automatizadas com câmeras e IA;
- Análise preditiva para manutenção de ativos;
- Integração entre resultados de manutenção e projetos de engenharia;
- Planejamento e programação de atividades assistidos por Inteligência Artificial.
Pressão sobre infraestrutura acelera adoção da IA
Diante do aumento das demandas por infraestrutura e das restrições orçamentárias enfrentadas por organizações canadenses, os especialistas concluíram que a Inteligência Artificial pode desempenhar papel fundamental na otimização de recursos.
A principal mensagem do debate foi clara: quando apoiada por dados de qualidade e boas práticas de gestão, a IA tem potencial para tornar operações mais rápidas, inteligentes e eficientes, além de gerar valor sustentável no longo prazo para organizações intensivas em ativos.
Imagem gerada por IA (ChatGPT)











