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Líderes buscam mais capacitação em Inteligência Artificial do que profissionais iniciantes, aponta pesquisa

Educação, IA

A Inteligência Artificial está mudando a forma como as empresas trabalham e tomam decisões. Nesse cenário, são justamente os profissionais que ocupam cargos de liderança que demonstram maior interesse em aprender a utilizar a tecnologia. Uma pesquisa divulgada pela Exame mostra que 49% dos líderes priorizam o aprendizado em Inteligência Artificial, contra 23% dos profissionais em início de carreira.

O resultado reforça a importância da capacitação em IA para quem precisa tomar decisões estratégicas, coordenar equipes e responder por resultados empresariais. Para Eduardo Gomes de Matos, fundador da Gomes de Matos Consultoria e organizador do Fórum Novo Mercado, a diferença está relacionada ao nível de responsabilidade de cada profissional.

“Quanto mais alto o cargo, mais decisões passam pela sua mão. E é justamente na decisão, na estrutura e na responsabilidade que a IA está mexendo primeiro”, afirma.

Por que os líderes estão buscando aprender Inteligência Artificial?

Para executivos, a Inteligência Artificial pode ajudar a analisar informações, organizar ideias e acelerar processos que tradicionalmente exigem mais tempo. A tecnologia também permite explorar cenários e reunir elementos que apoiam decisões estratégicas.

Eduardo Gomes de Matos afirma que utiliza ferramentas de IA diariamente em suas atividades profissionais, inclusive na análise de dados e na organização de ideias. Com 31 anos de experiência, ele considera que o conhecimento acumulado ao longo da carreira precisa ser acompanhado pela atualização tecnológica.

“Experiência sozinha não segura mais a cadeira. Eu tenho 31 anos de experiência e uso IA todos os dias no meu trabalho. Se eu estou aprendendo, imagina quem está começando”, diz.

Na avaliação do especialista, o diferencial profissional está na combinação entre experiência prática e domínio das novas ferramentas. Enquanto a vivência ajuda a compreender o contexto dos negócios, a Inteligência Artificial pode ampliar a capacidade de análise e acelerar o acesso a informações relevantes.

“A vantagem não está em ser jovem nem em ser experiente. Está em juntar as duas coisas: a bagagem que só o tempo dá com a ferramenta que acabou de chegar”, afirma.

Inteligência Artificial acelera decisões nas empresas

Outro fator que ajuda a explicar o interesse das lideranças é a possibilidade de reduzir o tempo dedicado a determinadas atividades. Tarefas de análise, organização de informações e preparação de cenários podem ser realizadas com maior agilidade quando a tecnologia é utilizada de maneira adequada.

Esse ganho de velocidade, porém, não elimina a necessidade de avaliação humana. Cabe aos gestores verificar a qualidade das informações, considerar os riscos e assumir a responsabilidade pelas decisões tomadas.

“A IA acelerou decisões que antes levavam semanas. Ela não tira a responsabilidade do líder, mas ajuda a chegar mais rápido às informações e às possibilidades”, explica Eduardo.

A mudança exige que os executivos compreendam não apenas como utilizar ferramentas de Inteligência Artificial, mas também como avaliar seus resultados e identificar situações em que a análise humana continua indispensável.

Capacitação em IA deixa de ser exclusiva das equipes técnicas

A adoção da Inteligência Artificial nas empresas amplia a necessidade de treinamento em diferentes níveis hierárquicos. Além dos profissionais responsáveis pela implementação técnica, gestores e executivos precisam entender como a tecnologia pode ser aplicada aos objetivos do negócio.

Para Eduardo Gomes de Matos, essa preparação é especialmente importante para quem ocupa os cargos mais altos das organizações, já que as decisões dessas lideranças podem afetar equipes, investimentos e estratégias empresariais.

“O CEO não pode errar. Ele precisa decidir rápido, decidir bem e assumir a responsabilidade por cada escolha. IA não é luxo para o CEO. É uma ferramenta de sobrevivência”, afirma.

O especialista defende que as empresas não concentrem seus esforços de capacitação apenas nos profissionais em início de carreira. Na visão dele, os líderes também precisam acompanhar a evolução das ferramentas e compreender como incorporá-las à gestão.

“O iniciante pode esperar. O CEO não tem esse luxo”, diz.

Empresas precisam preparar gestores para a nova realidade

À frente do Fórum Novo Mercado, Eduardo acompanha discussões relacionadas às transformações na gestão e nos negócios. Para ele, a preparação das lideranças para o uso da Inteligência Artificial deve fazer parte das estratégias de desenvolvimento profissional das organizações.

Os números divulgados pela Exame indicam uma diferença expressiva entre a prioridade atribuída ao aprendizado em IA pelas lideranças e pelos profissionais iniciantes. Embora os dados apresentados não expliquem, por si sós, as causas dessa diferença, o cenário destaca a relevância da capacitação tecnológica em diferentes etapas da carreira.

A questão que fica para as empresas é se os programas de treinamento acompanham as necessidades de quem define estratégias e responde pelos resultados. Como pergunta Eduardo Gomes de Matos: “Sua empresa está preparando os líderes para usar IA ou só os estagiários?”.

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