A possibilidade de óculos inteligentes identificarem automaticamente pessoas em ambientes públicos voltou a acender o debate sobre privacidade digital. Segundo análise publicada pela Kaspersky, documentos vazados indicam que a Meta desenvolveu um recurso de reconhecimento facial chamado NameTag, capaz de associar rostos a perfis em suas plataformas sociais, levantando preocupações entre especialistas em segurança e privacidade.
De acordo com a Kaspersky, a tecnologia estaria sendo preparada para os óculos inteligentes Ray-Ban Meta, atualmente líderes do segmento. O recurso utilizaria inteligência artificial para reconhecer pessoas que entrassem no campo de visão da câmera instalada nos óculos e exibir informações relacionadas ao usuário identificado.
Embora a Meta afirme que não oferece um recurso de reconhecimento facial ao público, uma investigação da revista Wired, citada pela Kaspersky, revelou que partes do código relacionadas ao NameTag foram incorporadas ao aplicativo Meta AI, instalado em milhões de smartphones conectados aos dispositivos.
Como o NameTag funcionaria
Segundo a análise da Kaspersky, o sistema utilizaria três modelos de inteligência artificial: um para detectar rostos, outro para isolá-los e um terceiro para transformá-los em impressões biométricas. Essas informações poderiam ser comparadas a um banco de dados armazenado no smartphone do usuário, permitindo a identificação automática de pessoas.
Ainda conforme o texto, até mesmo rostos não identificados poderiam ser armazenados temporariamente em uma pasta denominada “Pending” (“Pendente”), levantando dúvidas sobre o tratamento de dados biométricos de pessoas que sequer consentiram com esse processo.
Especialistas alertam para riscos de privacidade
Na avaliação da Kaspersky, uma tecnologia desse tipo pode facilitar práticas de perseguição, golpes e coleta indevida de informações pessoais. A empresa destaca que a possibilidade de identificar instantaneamente desconhecidos por meio de seus perfis digitais representa uma mudança significativa no conceito de anonimato em espaços públicos.
Após a repercussão negativa, a Meta removeu grande parte do código relacionado ao NameTag de uma atualização do aplicativo. No entanto, especialistas ouvidos pela Wired alertam que a empresa poderia reativar a funcionalidade futuramente com uma simples atualização de software.
Ligação com tecnologia usada por forças de segurança
Outro ponto destacado pela Kaspersky envolve a revelação de um contrato entre a Meta e a empresa Rank One Computing, especializada em reconhecimento facial para órgãos policiais e militares dos Estados Unidos. Segundo a reportagem citada, a tecnologia licenciada seria capaz de operar com bancos de dados contendo até 10 milhões de perfis biométricos.
A Meta e a Rank One Computing não comentaram publicamente a parceria, segundo a publicação.
Como reduzir os riscos
A Kaspersky ressalta que atualmente não existe uma forma de impedir que os óculos inteligentes capturem imagens de pessoas próximas. Como medida preventiva, a empresa recomenda limitar a exposição de informações pessoais nas redes sociais, configurando perfis como privados e revisando regularmente as opções de privacidade.
A companhia também cita o aplicativo Nearby Glasses, que detecta sinais Bluetooth emitidos por óculos inteligentes da Meta e da Snap, alertando usuários sobre a possível presença desses dispositivos nas proximidades. Além disso, recomenda utilizar sua ferramenta gratuita Privacy Checker para revisar configurações de segurança em redes sociais e reduzir a quantidade de dados pessoais disponíveis publicamente.
Foto: Reprodução site Meta











