Home / Mais Notícias / Vulnerabilidade em chips Qualcomm permite espionagem em celulares, carros e dispositivos IoT

Vulnerabilidade em chips Qualcomm permite espionagem em celulares, carros e dispositivos IoT

Qualcomm

Uma vulnerabilidade crítica descoberta em chips da Qualcomm está preocupando especialistas em cibersegurança em todo o mundo. Identificada como CVE-2026-25262, a falha afeta diversos dispositivos, incluindo smartphones, carros conectados, equipamentos industriais, terminais bancários e produtos de Internet das Coisas (IoT).

A descoberta foi apresentada pelos pesquisadores Alexander Kozlov e Sergey Anufrienko, do Kaspersky ICS CERT, durante a conferência Black Hat Asia 2026. Segundo os especialistas, o problema está localizado em uma das camadas mais profundas dos chips da Qualcomm: o BootROM, componente responsável por iniciar todo o sistema do dispositivo.

O que torna a vulnerabilidade tão perigosa?

O BootROM funciona como a base da cadeia de confiança de um dispositivo eletrônico. Por estar gravado diretamente no silício durante a fabricação, ele não pode ser alterado posteriormente por meio de atualizações de software.

A vulnerabilidade permite que um invasor execute código malicioso antes mesmo do carregamento do sistema operacional. Na prática, isso possibilita o acesso a senhas, arquivos, contatos, localização, câmera, microfone e outros recursos sensíveis do aparelho.

O ataque explora o chamado Modo de Download de Emergência (EDL), utilizado por fabricantes e assistências técnicas para recuperar dispositivos com problemas de funcionamento.

Ataque exige acesso físico ao dispositivo

Embora a falha seja extremamente grave, não pode ser explorada remotamente. O criminoso precisa ter acesso físico ao equipamento por alguns minutos e conectá-lo por meio de um cabo USB.

Entre os cenários considerados de risco pelos pesquisadores estão:

  • Assistências técnicas não autorizadas;
  • Inspeções alfandegárias em aeroportos e fronteiras;
  • Casos de roubo temporário seguidos de devolução do aparelho;
  • Espionagem corporativa praticada por funcionários mal-intencionados.

Segundo a Kaspersky, um invasor pode instalar um backdoor praticamente invisível para ferramentas tradicionais de segurança.

Quais chips Qualcomm são afetados?

A vulnerabilidade impacta as seguintes famílias de processadores:

  • MDM9x07
  • MDM9x45
  • MDM9x65
  • MSM8909
  • MSM8916
  • MSM8952
  • SDX50

Esses componentes continuam amplamente utilizados em smartphones de entrada, módulos de comunicação para IoT, sistemas industriais, equipamentos médicos, rastreadores logísticos e unidades de controle automotivo.

Qualcomm confirma problema, mas correção é impossível

A Qualcomm foi informada da descoberta em março de 2025 e confirmou a existência da falha. A empresa incluiu o problema em seu boletim de segurança divulgado em maio de 2026.

No entanto, por estar presente no próprio BootROM, a vulnerabilidade não pode ser corrigida em dispositivos já fabricados. A fabricante informou apenas que futuras gerações dos chips serão produzidas sem essa falha.

Como se proteger da vulnerabilidade

Especialistas recomendam algumas medidas para reduzir os riscos:

  • Evitar deixar dispositivos sem supervisão;
  • Utilizar apenas assistências técnicas autorizadas;
  • Manter firmware e sistema operacional atualizados;
  • Instalar soluções de segurança confiáveis;
  • Desconfiar de superaquecimento, tráfego de rede incomum ou comportamento estranho de aplicativos.

De acordo com os pesquisadores, caso o dispositivo tenha sido comprometido, desligá-lo completamente e interromper toda a alimentação elétrica, removendo a bateria ou deixando-a descarregar totalmente, pode eliminar o código malicioso em determinados cenários.

Falha reacende debate sobre segurança de hardware

A descoberta evidencia um problema crescente na indústria tecnológica: vulnerabilidades diretamente no hardware. Diferentemente de falhas de software, que normalmente podem ser corrigidas por meio de atualizações, problemas no silício podem acompanhar um dispositivo ao longo de toda a sua vida útil.

Para especialistas, o caso da CVE-2026-25262 representa um dos exemplos mais preocupantes dos últimos anos, especialmente porque afeta não apenas smartphones, mas também veículos conectados, sistemas industriais e equipamentos críticos utilizados em diversos setores da economia.

Imagem gerada por IA (ChatGPT)

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *