Mais de 60% dos incidentes de cibersegurança enfrentados pelas empresas têm origem interna. Enquanto a área de Tecnologia da Informação (TI) foca em blindar sistemas, é nos Recursos Humanos (RH) que moram as maiores vulnerabilidades operacionais: admissões, movimentações e, principalmente, desligamentos de funcionários.
Um levantamento global do setor aponta que 26% dos ataques cibernéticos contra empresas são provocados intencionalmente por colaboradores. Já os erros humanos acidentais representam 38% dos incidentes. Os números provam que, em companhias que lidam com dados sensíveis, a tecnologia sozinha não consegue barrar vazamentos se a gestão de pessoas falhar.
Segundo Alberto Jorge, especialista em cibersegurança e CEO da Trust Control, o RH atua como o primeiro filtro de defesa da organização.
“A falta de integração entre pessoas, processos e tecnologia amplia a exposição a ataques. Sem política de acesso e cultura de proteção, o colaborador vira a principal superfície de ataque da companhia”, afirma o executivo.
O perigo oculto na gestão de acessos
Na prática, as brechas surgem no cotidiano. Ataques de phishing, senhas fracas, compartilhamento de arquivos em nuvem e uso de dispositivos pessoais não autorizados (Shadow IT) lideram as ameaças. Com o trabalho híbrido e remoto, a superfície de ataque se expandiu para além dos escritórios físicos.
O antídoto passa por políticas rigorosas de controle de acesso: definir quem acessa o quê, por quanto tempo e sob quais circunstâncias.
“Cibersegurança é disciplina operacional e comportamento. Isso significa aplicar o princípio do menor privilégio, revisar acessos com frequência, investir em treinamento contínuo e estabelecer rotinas de resposta a incidentes”, alerta Alberto Jorge.
Desligamentos: a hora mais crítica para a TI
Um dos momentos de maior risco de vazamento de informações estratégicas ocorre quando um colaborador deixa a empresa. O bloqueio tardio de credenciais e e-mails permite que ex-funcionários continuem acessando a rede corporativa após o encerramento do vínculo.
Para evitar apagões de segurança, especialistas defendem processos automatizados e comunicação imediata entre RH e TI. Mudanças no status de um contrato devem refletir instantaneamente nos sistemas de controle de acesso.
“Todo negócio que trata dados sem governança corre o risco de interromper operações, perder receita e comprometer sua reputação. A integração entre RH e segurança da informação deixou de ser apenas uma boa prática e tornou-se uma necessidade de sobrevivência corporativa”, conclui.











