Especialistas em cibersegurança da Kaspersky identificaram o primeiro caso documentado de um malware (cavalo de Troia) desenvolvido especificamente para infectar centrais multimídia automotivas. A ameaça transforma o sistema de infoentretenimento dos veículos em uma rede zumbi (botnet) para fraudes publicitárias e roteamento ilícito de tráfego.
A descoberta, realizada por Dmitry Kalinin e pela equipe de investigação da Kaspersky em junho de 2026, acende um alerta para a segurança de carros conectados. Diferente de incidentes anteriores restritos a laboratórios, este malware está sendo distribuído ativamente contra motoristas.
Como funciona a infecção nos veículos?
Conforme a análise técnica da Kaspersky, o ataque não afeta todos os carros, mas foca em sistemas Android que utilizam softwares desenvolvidos pela empresa chinesa DoFun, responsável pelo firmware de mais de 30 milhões de veículos no mundo.
O esquema de infecção segue as seguintes etapas identificadas pelos pesquisadores:
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Exploração de atualização: Os invasores usam o aplicativo de sistema legítimo TWCore para baixar um dropper malicioso chamado JarService.
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Módulo de download: Sem precisar de intervenção do motorista, o JarService descriptografa o código e se conecta ao servidor de comando e controle (C2).
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Fraude de anúncios (Clicker): O sistema passa a fazer solicitações HTTP para gerar impressões fraudulentas de anúncios em segundo plano.
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Transformação em Proxy (zhima): O módulo instalado insere o veículo em uma botnet de proxies residenciais.
Quem está por trás do ataque?
Segundo a investigação da Kaspersky, a operação está diretamente associada à plataforma maliciosa BADBOX e ao grupo de ameaças MoYu Group.
Os criminosos monetizam a invasão vendendo o acesso ao tráfego de internet dos veículos por meio de serviços como PXYEDGE e ProxyForU. Com isso, terceiros conseguem navegar na web mascarando seus endereços IP com a conexão do próprio carro infectado.
Quais os riscos para os motoristas?
A pesquisa da Kaspersky aponta que os impactos diretos para os condutores incluem:
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Lentidão no sistema: Consumo excessivo de memória e processamento da central multimídia.
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Queda na velocidade da internet: Tráfego de dados do veículo congestionado pelas operações dos hackers.
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Instabilidade do painel: Risco de falhas de navegação e reprodução de mídia.
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Execução remota de comandos: Capacidade do atacante de baixar novas cargas maliciosas a qualquer momento.
“Dispositivos conectados à internet, de decodificadores de TV a sistemas automotivos, deixaram de ser alvos teóricos para virar realidade concreta de cibercriminosos”, alertam os analistas da Kaspersky.
Após o alerta emitido pelos especialistas da Kaspersky, a desenvolvedora do software corrigiu as vulnerabilidades de segurança exploradas no esquema.
Imagem gerada por IA (Gemini)











